PTERÍGIO ("vulgo "Farpões")
"Farpões foi em velhas datas
Que ao Pterígio se dava
Parecido às cataratas
Que punha a gente de gatas...
Quando a vista enevoava!
Eu fui então operado
Aqui, ao meu olho direito
Quando este estiver curado,
Ao esquerdo será marcado
A seguir, para o mesmo efeito.
Não sou Luís de Camões
Nem coisa que se pareça!
Sou natural de Tacões
Fui operado aos "Farpões"
E tenho um olho tapado!
Foi a partir deste dia
Que vejo menos ao perto
Tirei a fotografia
Para ver se conseguia
Vê-los; só com um aberto!...
07-04-2010, João da Palma
sexta-feira, 16 de abril de 2010
domingo, 7 de março de 2010
"MARCAS"

"MARCAS"
Tenho a marca da labuta,
Do trabalho e da luta
Dos braços, do dia a dia...
De gastar o que ganhava,
Do pouco que não sobrava,
Mas que faltava, eu sabia!
Marcado dos quinse aos vinte,
Dos trinta, desse requinte...
Que com mérito assumi!
Tenho a marca dos quarenta,
Dos cinquenta e sessenta,
Do que vejo, e do que vi!
A marca de provas dadas
Das agruras já passadas,
Do trabalho e do respeito
A marca de ser honesto
De marcar o meu protesto
De sêlos... que não aceito!...
Tenho a marca do que fiz
A marca de ser feliz
Às vezes menos; e então?
De marcas, estou bem servido
Do lido e do corrido...
De ser eu... de ser João!...
07-03-2010, João da Palma
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
QUEM ME DERA!...
QUEM ME DERA!...
Quem me dera ser Pintor
Para guardar numa tela...
Pintava todo o amor,
Que coubesse dentro dela!
Quem me dera ser Pintor
Pintar-te-ia falando
Em todos, com tal fervor...
Como se os tivesses olhando!
Num sobranceiro colorido
Para guardar numa tela...
Com o exacto sentido
Duma simples aguarela!
Dava-lhe o fundo e a cor
Dessa ausência de contacto...
Pintava todo o amor,
Que te tem sido abstracto...
Emoldurava num laço...
Esta menina, à janela...
Esperando aquele... abraço!
Que coubesse dentro dela!...
26-02-2010, João da Palma
Quem me dera ser Pintor
Para guardar numa tela...
Pintava todo o amor,
Que coubesse dentro dela!
Quem me dera ser Pintor
Pintar-te-ia falando
Em todos, com tal fervor...
Como se os tivesses olhando!
Num sobranceiro colorido
Para guardar numa tela...
Com o exacto sentido
Duma simples aguarela!
Dava-lhe o fundo e a cor
Dessa ausência de contacto...
Pintava todo o amor,
Que te tem sido abstracto...
Emoldurava num laço...
Esta menina, à janela...
Esperando aquele... abraço!
Que coubesse dentro dela!...
26-02-2010, João da Palma
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
SONETO ESDRÚXULO
SONETO ESDRÚXULO
As sínteses sensíveis e hiperbólicas,
Que afluem das retóricas simpáticas,
Ouvem-se vozes bucólico-esquipáticas
E cépticas estrofes melancólicas.
Transformam as minúsculas simbólicas,
Que formam as acústicas pragmáticas,
Até mesmo as perífrases didáticas
Em notas apáticas apostólicas.
Por isso mesmo as plásticas miríficas,
Em crespúsculos de orgânicas magníficas,
Atacam as cloróticas frenéticas.
E as erróneas cantigas inarmónicas,
Continuam estéreis e lacónicas,
Vandálicas...Fantásticas...Proféticas!...
Agosto de 2006, João da Palma
As sínteses sensíveis e hiperbólicas,
Que afluem das retóricas simpáticas,
Ouvem-se vozes bucólico-esquipáticas
E cépticas estrofes melancólicas.
Transformam as minúsculas simbólicas,
Que formam as acústicas pragmáticas,
Até mesmo as perífrases didáticas
Em notas apáticas apostólicas.
Por isso mesmo as plásticas miríficas,
Em crespúsculos de orgânicas magníficas,
Atacam as cloróticas frenéticas.
E as erróneas cantigas inarmónicas,
Continuam estéreis e lacónicas,
Vandálicas...Fantásticas...Proféticas!...
Agosto de 2006, João da Palma
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
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