domingo, 7 de março de 2010

"MARCAS"



"MARCAS"


Tenho a marca da labuta,

Do trabalho e da luta

Dos braços, do dia a dia...

De gastar o que ganhava,

Do pouco que não sobrava,

Mas que faltava, eu sabia!


Marcado dos quinse aos vinte,

Dos trinta, desse requinte...

Que com mérito assumi!

Tenho a marca dos quarenta,

Dos cinquenta e sessenta,

Do que vejo, e do que vi!


A marca de provas dadas

Das agruras já passadas,

Do trabalho e do respeito

A marca de ser honesto

De marcar o meu protesto

De sêlos... que não aceito!...


Tenho a marca do que fiz

A marca de ser feliz

Às vezes menos; e então?

De marcas, estou bem servido

Do lido e do corrido...

De ser eu... de ser João!...


07-03-2010, João da Palma

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010


QUEM ME DERA!...

QUEM ME DERA!...


Quem me dera ser Pintor
Para guardar numa tela...
Pintava todo o amor,
Que coubesse dentro dela!


Quem me dera ser Pintor
Pintar-te-ia falando
Em todos, com tal fervor...
Como se os tivesses olhando!


Num sobranceiro colorido
Para guardar numa tela...
Com o exacto sentido
Duma simples aguarela!


Dava-lhe o fundo e a cor
Dessa ausência de contacto...
Pintava todo o amor,
Que te tem sido abstracto...


Emoldurava num laço...
Esta menina, à janela...
Esperando aquele... abraço!
Que coubesse dentro dela!...


26-02-2010, João da Palma

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010


SONETO ESDRÚXULO

SONETO ESDRÚXULO


As sínteses sensíveis e hiperbólicas,
Que afluem das retóricas simpáticas,
Ouvem-se vozes bucólico-esquipáticas
E cépticas estrofes melancólicas.


Transformam as minúsculas simbólicas,
Que formam as acústicas pragmáticas,
Até mesmo as perífrases didáticas
Em notas apáticas apostólicas.


Por isso mesmo as plásticas miríficas,
Em crespúsculos de orgânicas magníficas,
Atacam as cloróticas frenéticas.


E as erróneas cantigas inarmónicas,
Continuam estéreis e lacónicas,
Vandálicas...Fantásticas...Proféticas!...


Agosto de 2006, João da Palma

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

“VIDA INTENSA”

“VIDA INTENSA”


Vivi uma vida intensa
Muito cedo, a trabalhar
Nesse tempo era sentença…
P’ra vida poder ganhar!


Estava fora de questão
Frequentar os Estudos…
Era a total negação
Ter formações e canudos…


Agora, estuda quem quer!
Porque não são obrigados
A trabalhar p’ra viver
Como eu, em tempos passados.


Fazendo o que não gostava
Vivendo assim tanto à pressa…
Quase nunca se acertava,
Quando assim se começa!


Agora, já reformado,
Lembro muito dessa altura…
Tanto tempo desperdiçado
Por causa da ditadura!...


30-11,2009, João da Palma