terça-feira, 30 de junho de 2009

O ARADE AO PÉ DE MIM

O ARADE AO PÉ DE MIM


Eu moro em Portimão, aqui fiquei
E desde sempre fui seu defensor…
Eu trato esta cidade com amor
E quero esta princesa que adorei!


Eu vivo esta ternura, e sonhei…
À beira do Arade, que esplendor!
Acordo e vejo um barco, um pescador
E adormeço ao colo desta Grei!...


Ter este Rio aqui ao pé de mim
Enorme calçadão, e um jardim
Tanta beleza ao sul a palpitar!...


O sol aberto, o fado e a cidade
Alma imensa dum povo sem idade…
E repleto este chão, corre p’ro mar!...


02-05-2004, João da Palma

sexta-feira, 13 de março de 2009

DESÍGNIO

DESÍGNIO


Eu queria tomar a Liberdade
De a celebrar no mundo inteiro...
- No étimo do amor verdadeiro
Que nos leva à diva Eternidade!


Eu queria ilibar a Sociedade
E fazer do amor nobre roteiro...
Romântico, puro e prazenteiro
Evocando às musas probidade.


Queria pesquisar todos os zelos
Que debelassem de vez os flagelos
E alçassem, por aí, minh’alegria...


Queria ser a força da franqueza
Pra talhar a empírica nobreza;
Aniquilando a insolente vilania!...


13-03-09, João da Palma

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O RAPAZ E O VELHO

O RAPAZ E O VELHO

Rapaz:
Tens muitos anos; e então?
Ó meu velho resmungão…
Esquecido da rapaziada…
Não queremos os teus conselhos
Idosos são trapos velhos
Que já não prestam p’ra nada.

Velho:
És jovem inexperiente,
Andas alegre e contente,
Não sabes avaliar…
Quem trabalhou toda a vida
P’ra tu teres à medida
Do que precisas gastar!

Rapaz:
És figura do passado
Da cena desactivado
Não passas de uma quimera…
Como uma folha caída,
És o Outono da vida
Que não é mais Primavera!

Velho:
Ainda não reparaste,
Tu que nunca trabalhaste
Nem produziste um tostão?
Não conheces o valor
Ao velho e trabalhador,
Das mãos que te amassa o pão!


14-02-09, João da Palma

domingo, 15 de fevereiro de 2009

AS ALMAS PARA ONDE VÃO?

AS ALMAS PARA ONDE VÃO?


Mote:
Todos temos que morrer
E não passamos do chão…
Ainda falta saber!...
As almas para onde vão?


Glosas:
Em dada altura nascemos
Para a vida, cada um…
Inda não sabe nenhum
Depois para onde iremos
Na terra, já o sabemos
Que termina o nosso Ser…
Qualquer modo de viver,
Seja rico ou seja pobre,
E ainda plebeu ou nobre
Todos temos que morrer

Sepultado em campa rasa…
Ou em jazigos dourados,
Todos seremos finados
Jamais voltamos a casa
Toda a vastidão se arrasa
Mergulhamos na solidão
Não somos mais condição
De vida, no Universo
Não voltamos ao reverso…
E não passamos do chão


Até aqui tudo certo
Entre a vida e a morte
Nem aquele com mais sorte
Mais parvo, ou mais esperto
Não terão o céu aberto
Para lá os receber
O que vai acontecer
À alma futuramente,
Não sabe nenhum vivente,
Ainda falta saber!...

Entre o céu e o inferno
Ainda não vimos os dois
Nem se afirmará depois
Qual será o mais fraterno
E se houver algum eterno,
Como reza a oração,
Vem esta interrogação
Numa pedrada ao assunto
E, deste modo eu pergunto
As almas para onde vão?

09-02-09, João da Palma

domingo, 8 de fevereiro de 2009

LAVRANDO

CEGO À REALIDADE

CEGO À REALIDADE


Mote
Todos querem um canudo…
P’ra viver mais à vontade
Neste mundo surdo e mudo
E cego à realidade!...


Glosas
Todos querem um canudo
Ter do bom, e consumir
E obter na vida tudo…
Sem precisar produzir!


Esquivar-se a “vergar a mola”
P’ra viver mais à vontade
Nem que seja até na bola…
Se tiver habilidade!


Mãos limpas como veludo…
Comer, beber e gozar
Neste mundo surdo e mudo
Já ninguém quer trabalhar


Se não muda de figura
O homem, foge à verdade
Sem pesca e agricultura
E cego à realidade!...


08-02-09, João da Palma

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009