quinta-feira, 4 de outubro de 2007

MANUEL MARIA BARBOSA DU BOCAGE


CARPINTEIRO?...


Media paus e cavacos…
Arregotas e tanganhos…
Media ripas e tacos
E carapetos estranhos


Media mogno a sorrir,
Toda a madeira que havia
Só não sabia medir,
Métrica da Poesia!...


Media todo o tamanho
De qualquer estaca ou madeiro…
Media também castanho…
Eucalipto e Zambujeiro.


Media portas, janelas
Melhor que os abegões
Para ferrolhos e tramelas…
Media também portões.


Qualquer Poeta reage
Depois de provar primeiro
O que diria o Bocage,
Se lhe chamassem carpinteiro?...


05-07-2007, João da Palma

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

A SÓNIA FOI PUNIDA (Foto junto ào muro da Instituição CRACEP)



A SÓNIA FOI PUNIDA
(Ainda a propósito da expulsão da Sónia)


A SÓNIA FOI EMPURRADA
DA CRACEP EM PORTIMÃO
SUSPENSA E CASTIGADA
E EXPULSA P’LA DIRECÇÃO!



Tal é o atrevimento,
Punir a Deficiência!
É falta de competência
E reles descaramento.
Provocaram sofrimento
À minha filha adorada,
P’la Direcção atirada…
Para fora do Portão
Daquela Instituição,
A SÓNIA FOI EMPURRADA


Bastava um ou dois dias,
Na CRACEP era demais…
Começando as infernais
Perseguições doentias…
Sucediam-se as manias…
P’ra Sónia ser saneada.
A Direcção preparada
Para o último empurrão
Que faria da Sónia então,
SUSPENSA E CASTIGADA


Vinha sendo molestada,
Já desde o ano passado
E eu estava preocupado
P’la orientação tomada
A Sónia mal vigiada,
Provoca inquietação.
Dentro desta condição,
Instala-se um mau estar…
Para assim se expulsar
DA CRACEP EM PORTIMÃO


E para o golpe final,
Um tanto ou quanto ilusório
Fabricam o relatório
À Segurança Social!...
Esta, pouco natural
Desconhecendo a razão,
Vai contornando a questão
Encostada á parte errada…
E, a Sónia foi lesada,
E EXPULSA P’LA DIRECÇÃO!


Abril de 2005, João da Palma

SUSPENSÃO, (SÓNIA)


SUSPENSÃO
(A propósito da Expulsão da CRACEP)


Sónia, minha filha adorada,
Por não teres na vida autonomia…
Precisas sempre apoio dia a dia
E sempre por alguém acompanhada!...


Haverá sempre um Sol, uma Alvorada!
Um rasgo de carinho e de alegria!
Que ponha termo a tanta apatia…
E a certa vigilância a ti negada!...


Apelo às consciências e valores…
Às altas competências e Senhores…
Que têm a tutela da criança!...


E por ti minha filha vou pedindo,
Esperando que a razão me vá ouvindo
E o Sol renasça em ti com confiança!...


Abril de 2005, João da Palma

terça-feira, 25 de setembro de 2007

“SILÊNCIO QUE SE VAI CANTAR O FADO”


“SILÊNCIO QUE SE VAI CANTAR O FADO”


Enviem um fadista ao Festival…
Bem como uma viola e uma guitarra
Façam soar bem alto, e com garra
A mais linda canção que é Nacional.


Apresentem o Fado original
Talvez também um Zé e de samarra!
Com a amante a seu lado, que o agarra…
Virão como se canta em Portugal!...


Façam lembrar o vinho em cangerão
Chouriço assado no caseiro pão…
E o bacalhau às lascas bem temperado!


Mostrem a todo o mundo a nostalgia!
Não façam espalhafato e gritaria…
“Silêncio que se vai cantar o fado”!...


14-05-07, João da Palma

sábado, 22 de setembro de 2007

“MALTZUADO” PESCADOR


“MALTZUADO” PESCADOR


“MALTZUADO” PESCADOR
SEM OLHOS, BOCA E NARIZ
QUEM SERIA QUE O QUIS,
TRAZER AQUI P’RA ALVOR!


“MALTZUADO” PESCADOR
Que não dá ares a ninguém…
E este povo com valor,
Sem piada, ali o tem!


Um monstro! Sua cabeça
SEM OLHOS, BOCA E NARIZ
Foi posto ali à “ravessa”
Numa escolha infeliz!


Só o Cutileiro vos diz,
Do palhaço encomendado…
QUEM SERIA QUE O QUIS,
Aqui tão mal amanhado!...


Há quem diga nesta ria,
É um mau gosto, um horror!...
Por alguém que o não devia
TRAZER AQUI P’RA ALVOR!


2006, João da Palma

quarta-feira, 19 de setembro de 2007


ABRAÇO Á COMPANHIA 355
(inspirada no abraço a Setúbal de António Severino)

É p’ra Companhia que vai meu abraço
P’ra essa gente que mostra amizade
Velhos Combatentes sem mostrar cansaço
Os anos que passem, mas fica a verdade!...

O soldado honrou, cumpriu seu dever
E o que passou, podemos dizer
Soldado Engenheiro, nosso Comandante
Apraz-nos merecer, seu ar confiante
Há quem diga até; ouvem-se os rumores
Que nós em Angola, fomos os Maiores

É p’ra Companhia…

Fizemos Pontes, Pontões
Rasgamos tantas picadas…
E aquelas Construções!
Em Angola espalhadas!

Não matamos nem ferimos…
Demos condições de vida…
E por amor construímos
Esta festa merecida!...

É p’ra Companhia…

20-01-07, João da Palma

segunda-feira, 3 de setembro de 2007


UMA VIDA REVELADA


O Fotógrafo famoso
Steve Mc Curry orgulhoso
Mais um êxito acumula…
Foi feliz naquele dia,
C’o a linda fotografia
Da Afegã Sharbat Gula!...


Aquele expressivo olhar
Como que a interrogar
Desta tão linda menina
A jovem refugiada
Da soberba desvairada…
De um invasor de má sina…


O Mc Curry fixou…
Essa foto que tirou
Estranha e ao demarcá-la…
Esse rosto fascinante
Para ele tão importante
Que o levou a procurá-la…


E ao fim de dezassete anos
Conseguiu os seus planos
O artista da imagem
Para ao mundo mostrar
A beleza deste olhar
Presto aqui minha Homenagem!...


02-09-07, João da Palma